Ensino de jornalismo deve reforçar ética e senso crítico diante da IA, diz pesquisadora

Encontro em Brasília discute impactos das novas tecnologias e da desinformação na formação profissional

Os avanços da inteligência artificial e o crescimento da desinformação têm imposto novos desafios às faculdades de jornalismo no Brasil. A avaliação é da professora Marluce Zacariotti, da Universidade Federal do Tocantins e presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo.

Segundo a pesquisadora, é necessário fortalecer uma formação baseada em ética, senso crítico e responsabilidade social para garantir a confiança do público. Ela participa do 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (Enejor), realizado na Universidade de Brasília até o dia 24 de abril.

Formação transversal

Para Zacariotti, o momento exige reflexão e mudanças na formação, mas não necessariamente a criação de novas disciplinas específicas sobre inteligência artificial. O ideal, segundo ela, é que temas como tecnologia e combate à desinformação sejam trabalhados de forma transversal ao longo do curso.

A professora defende que práticas como apuração rigorosa e verificação de dados devem continuar no centro da formação, com apoio das novas tecnologias sem substituir o papel humano no jornalismo.

Novo ecossistema midiático

A pesquisadora também destaca que o cenário atual é marcado por uma transformação profunda no sistema midiático, com maior influência das plataformas digitais e algoritmos. Nesse contexto, reforça a importância de diferenciar o trabalho jornalístico da produção de conteúdo feita por influenciadores.

Ela avalia que o ensino deve incluir educação midiática para ajudar o público a compreender como a informação é produzida e distribuída.

Desafios e oportunidades

Apesar dos riscos, Zacariotti afirma que as tecnologias não devem ser vistas como ameaça, mas como ferramentas que podem qualificar o trabalho jornalístico, desde que usadas de forma responsável.

A pesquisadora também defende maior valorização de atividades presenciais na formação, ressaltando que o jornalismo é uma prática coletiva, que depende da troca entre profissionais.

O encontro reúne professores e pesquisadores para discutir caminhos para o ensino diante das transformações tecnológicas e sociais que impactam a profissão.

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