“Pela primeira vez em sete anos, Governo do Amazonas não apoia o futebol”, denuncia presidente da FAF

Rozenha atribui falta de patrocínio a perseguição política; enquanto futebol amazonense fica sem recursos estaduais em 2026, Federação Amazonense de Tênis recebeu R$ 6 milhões neste ano

Manaus (AM) – Pela primeira vez nos últimos sete anos, o futebol amazonense atravessa uma temporada sem receber patrocínio do Governo do Estado para as competições organizadas pela Federação Amazonense de Futebol (FAF). A denúncia é do presidente da entidade, Ednailson Rozenha, que atribui a interrupção do apoio a uma decisão de caráter político.

A declaração ocorre no momento em que vieram a público informações sobre R$ 6 milhões destinados pelo Governo do Amazonas à Federação Amazonense de Tênis (FAT) em 2026. Somado ao R$ 1 milhão recebido pela entidade em 2025, o investimento estadual na modalidade chega a R$ 7 milhões em dois anos.

Pela primeira vez nos últimos sete anos, o Governo do Estado não apoia o futebol amazonense. E a motivação para isso é, infelizmente, perseguição política, porque o presidente da FAF apoia um candidato que não é o governador tampão”, afirmou Rozenha.

Além de presidente da FAF, Rozenha é deputado estadual e candidato à reeleição. Ele integra a base política do senador Omar Aziz (PSD), candidato ao Governo do Amazonas e adversário do atual governador na eleição de 4 de outubro.

Do Sub-8 ao profissional
Segundo Rozenha, a ausência do patrocínio estadual não afeta apenas o futebol profissional. O impacto percorre praticamente toda a estrutura da modalidade no Amazonas, começando pelas categorias de base, com crianças a partir do Sub-8, e chegando às Séries A e B do Campeonato Amazonense profissional.

A estrutura mantida pela FAF também envolve o futebol feminino, competições de base, torneios ligados às ligas municipais, Copa da Floresta Masculina e Feminina, além da arbitragem e de uma cadeia de profissionais que trabalha direta ou indiretamente para a realização das competições.

Mesmo sem o patrocínio estadual, a federação manteve seu calendário. De acordo com Rozenha, as despesas vêm sendo cobertas com recursos próprios da entidade e, em determinadas situações, com recursos pessoais do próprio dirigente.

Só estamos funcionando e com as contas em dia porque a FAF tem realizado as competições com recursos próprios, inclusive do seu próprio presidente. Existe um compromisso de verdade com o futebol e com toda a cadeia produtiva que depende dele. Não poderíamos simplesmente parar as competições e abandonar clubes, atletas, crianças, mulheres, árbitros e profissionais que vivem o futebol todos os dias”, declarou.


A falta de incentivo do Governo do Estado prejudica os clubes das categorias de base, os atletas e até as famílias que precisam fazer cotas para ajudar em despesas como as taxas de arbitragem dos jogos.

O que o governador Roberto Cidade está fazendo com o futebol amazonense neste ano é de uma pequenez sem precedentes. Ele colocou em risco o sonho de centenas de crianças e adolescentes que disputam os estaduais de base”, dispara Rozenha.

R$ 6 milhões para o tênis em 2026
Enquanto a FAF afirma não ter recebido patrocínio estadual para suas competições neste ano, a Federação Amazonense de Tênis (FAT) recebeu R$ 6 milhões do Governo do Amazonas em 2026.

Levantamento publicado pelo jornalista Márcio Azevedo, com base em documentos relacionados aos patrocínios, aponta que a entidade recebeu inicialmente R$ 1 milhão e foi posteriormente contemplada com mais R$ 5 milhões. Em 2025, a FAT já havia recebido R$ 1 milhão. Com isso, os recursos destinados à federação chegam a R$ 7 milhões em dois anos.

Os números das competições também ajudam a dimensionar o alcance do investimento. Em 2025, a Federação Amazonense de Tênis realizou cinco eventos, com média de 184 atletas inscritos por competição. Nos cinco torneios realizados até o levantamento de 2026, a média foi de 137 participantes por evento.

Para este ano, o projeto contemplado com recursos estaduais prevê a realização de dez eventos.

O contraste com o futebol também aparece quando os patrocínios de 2025 são observados. Naquele ano, a FAF recebeu R$ 8 milhões do Governo do Amazonas, enquanto a Federação Amazonense de Tênis recebeu R$ 1 milhão. Em 2026, segundo as informações disponíveis, a FAF não recebeu recursos estaduais para suas competições, enquanto o patrocínio destinado à FAT alcançou R$ 6 milhões.

Futebol movimenta mais de 11 mil pessoas
Os números da temporada ajudam a dimensionar o alcance do futebol organizado pela Federação Amazonense de Futebol. Em 2026, a FAF é responsável pela realização de 16 competições estaduais e participa da organização de outras 10 competições nacionais, envolvendo categorias que vão da base ao futebol profissional.

Ao longo da temporada, são mais de 6 mil atletas inscritos e mais de 120 profissionais de arbitragem envolvidos. O calendário prevê quase 1.000 partidas, distribuídas entre diferentes categorias e competições realizadas em Manaus e no interior.

O impacto, porém, vai muito além de quem entra em campo. Segundo levantamento da FAF, a cadeia do futebol ligada às competições da entidade movimenta mais de 11 mil pessoas direta e indiretamente.

São atletas, treinadores e integrantes de comissões técnicas, dirigentes, árbitros e funcionários dos clubes, mas também trabalhadores que nem sempre aparecem quando a bola começa a rolar: seguranças, cozinheiras, motoristas, profissionais de manutenção e serviços gerais, além de outros prestadores de serviços.

Para Rozenha, esses números demonstram por que a ausência do patrocínio estadual não pode ser tratada apenas como uma questão entre o Governo e a direção da federação.

Quando falamos que o Governo deixou o futebol amazonense sem apoio, precisamos entender o tamanho dessa decisão. São mais de 6 mil atletas, quase mil jogos numa temporada e uma cadeia que movimenta mais de 11 mil pessoas. Por trás de cada partida existe gente trabalhando e levando renda para casa. Futebol no Amazonas não é apenas entretenimento. É esporte, oportunidade, inclusão, emprego e renda. Por isso é muito grave permitir que uma divergência política interfira numa atividade que alcança milhares de amazonenses”, afirmou o presidente da FAF.

Rozenha também chama atenção para a abrangência do calendário. Da formação de crianças e adolescentes nas categorias de base às competições profissionais, passando pelo futebol feminino e pelos torneios realizados no interior, a estrutura mantida pela FAF acompanha atletas em diferentes fases da atividade esportiva.
“O Governo não está deixando de ajudar o Rozenha. Está deixando de apoiar mais de 6 mil atletas e uma cadeia de milhares de trabalhadores. Quem está no Sub-8 não tem nada a ver com eleição. O árbitro não tem nada a ver com eleição. A cozinheira, o motorista, o segurança, o trabalhador que depende desse calendário não têm nada a ver com eleição. Se a decisão foi tomada porque eu tenho uma posição política, então que a perseguição seja contra mim, não contra o futebol amazonense”, concluiu Rozenha.

Copa da Floresta leva futebol a 51 municípios
Um dos exemplos da dimensão alcançada pelo futebol organizado pela FAF é a Copa da Floresta Bemol 2026. Considerada a maior competição de futebol amador da região Norte, o torneio mobilizou seleções de 51 municípios – cerca de 82% das cidades do Amazonas -, numa operação que ajuda a dimensionar o desafio de fazer futebol em um estado de proporções continentais.

Realizada entre maio e julho, a competição teve 96 partidas e mais de 30 mil quilômetros percorridos por delegações entre rios e estradas. As 51 seleções foram distribuídas em oito regiões geográficas, numa logística criada para permitir que o campeonato chegasse a diferentes áreas do interior. Manicoré conquistou o título ao vencer Benjamin Constant por 3 a 0 na decisão.

A edição também marcou a estreia, na final, do equipamento de VAR próprio adquirido pela FAF. Essa foi a primeira vez que a tecnologia que auxilia a arbitragem foi usada numa competição de futebol amador no mundo.

Para Rozenha, deixar uma competição com esse alcance fora do apoio estadual vai muito além da relação institucional entre o Governo e a federação.

“Quando o Governo decide não apoiar uma competição que chega a 51 municípios, ele não está virando as costas para o presidente da FAF. Está virando as costas para o futebol do interior do Amazonas. Estamos falando de uma competição que percorreu mais de 30 mil quilômetros, realizou 96 jogos e colocou em campo praticamente todas as regiões do nosso estado. A Copa da Floresta movimenta atletas, comissões técnicas, árbitros, famílias, comércio e a economia dos municípios. É integração social, esportiva e econômica feita através do futebol. Punir a FAF por uma divergência política é tentar fazer o interior pagar uma conta que não é dele”, criticou Rozenha.

O dirigente afirma que a realização do campeonato sem recursos estaduais reforça o contraste que pretende denunciar.

Mesmo sem o Governo do Estado colocar um real, nós não deixamos a bola parar. A Copa da Floresta aconteceu, chegou a 51 municípios e mostrou a força do futebol amazonense. O que precisa ser explicado é por que um projeto com esse alcance territorial e social ficou sem apoio público enquanto milhões de reais foram destinados a outra federação. O esporte precisa ser tratado com critérios técnicos, não de acordo com a posição política de quem dirige uma entidade”, completou.

Futebol mantém resultados mesmo sem patrocínio
Apesar da ausência de recursos estaduais, o futebol amazonense manteve suas competições e conquistou resultados nacionais importantes em 2026.

O mais recente foi protagonizado pelo Nacional Futebol Clube, que garantiu o acesso e disputará o Campeonato Brasileiro da Série C em 2027, ampliando a presença do Amazonas no cenário nacional.

Para Rozenha, o resultado demonstra a capacidade de reação dos clubes e da estrutura do futebol local, mas não elimina a necessidade de investimentos públicos e privados para sustentar uma modalidade que movimenta atletas desde a infância até o profissional.

Fazer futebol não é barato. Os clubes e as competições organizadas pela FAF precisam de apoio público e privado. Futebol não é apenas o jogo de domingo. Faz parte da economia, gera emprego e renda e tem um enorme impacto social, oferecendo oportunidades para crianças, adolescentes, jovens e mulheres em Manaus e no interior”, afirmou.

O presidente da FAF defende ainda que a discussão sobre financiamento público do esporte seja feita a partir de critérios objetivos, levando em consideração alcance social, quantidade de atletas beneficiados, número de competições, municípios envolvidos e a cadeia econômica movimentada por cada modalidade.

Assessoria Dep. Rozenha
Fotos: Arquivo FAF

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