Trabalhadores relatam suposta pressão por apoio à candidata Luana Ferraz; encontro teria contado com a participação do empresário Marmude Cameli e registros audiovisuais foram encaminhados à reportagem
Uma denúncia recebida pela reportagem aponta uma possível situação de assédio eleitoral envolvendo funcionários do Estaleiro Juruá, em Iranduba, no Amazonas. Segundo os relatos, trabalhadores teriam sido reunidos para uma mobilização em apoio à candidata a deputada estadual Luana Ferraz, que é esposa do prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz.
De acordo com os funcionários que procuraram a reportagem, o encontro teria contado com a participação do proprietário do estaleiro, Marmude Cameli, além da candidata. Os trabalhadores que relataram o caso solicitaram anonimato por receio de possíveis represálias no ambiente profissional.
Funcionários relatam constrangimento
Segundo os relatos, a reunião teria provocado desconforto entre parte dos trabalhadores, que afirmam ter interpretado a mobilização como uma possível tentativa de influenciar a escolha eleitoral dos empregados.
Os funcionários também manifestaram preocupação com eventuais consequências profissionais caso não demonstrem apoio à candidatura mencionada durante o encontro.
Vídeos e fotografias encaminhados à reportagem registram a realização da reunião nas dependências do estaleiro e mostram a presença de trabalhadores, do empresário Marmude Cameli e da candidata Luana Ferraz. O material integra a apuração jornalística sobre a denúncia.
O que caracteriza possível assédio eleitoral
A utilização da relação de trabalho para constranger ou pressionar empregados em razão de suas escolhas políticas pode ser analisada pelas autoridades eleitorais como possível assédio eleitoral.
A legislação eleitoral estabelece restrições à propaganda e ao assédio eleitoral em ambientes de trabalho, tanto públicos quanto privados. A eventual caracterização de irregularidade, no entanto, depende da análise das circunstâncias, dos registros e das demais provas pelas autoridades competentes.
O Código Eleitoral também prevê crimes relacionados à coação ou à tentativa de obtenção de voto mediante determinadas formas de pressão ou vantagem. A configuração de eventual crime depende da apuração dos fatos e do enquadramento jurídico realizado pelos órgãos responsáveis.
Caso pode ser investigado
Diante da denúncia, os trabalhadores que procuraram a reportagem defendem que os fatos sejam encaminhados às autoridades competentes para investigação.
A existência da reunião é registrada nas imagens e fotografias enviadas à reportagem. Já a eventual ocorrência de assédio eleitoral, coação ou qualquer outra irregularidade ainda precisa ser apurada.
Defesa dos envolvidos
A reportagem procurou os envolvidos para que pudessem apresentar suas versões sobre os fatos. O espaço permanece aberto para manifestação do empresário Marmude Cameli, do Estaleiro Juruá, da candidata Luana Ferraz e dos demais citados.
Até o fechamento desta matéria, não havia sido apresentada manifestação formal à reportagem sobre a denúncia.
Confira os vídeos abaixo:
