SIND-UEA critica reajuste seletivo do Governo do Amazonas e cobra valorização dos servidores da UEA

Manaus (AM) — O Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (SIND-UEA), seção sindical do ANDES-SN, manifesta preocupação diante da forma seletiva com que o Governo do Amazonas vem conduzindo as reposições salariais no serviço público estadual. O anúncio da concessão da data-base aos servidores da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) é acompanhado do esquecimento da recomposição salarial da categoria docente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que fica de fora, sem qualquer sinalização concreta de recomposição salarial ou de mesa de negociação para o cumprimento das datas-bases acumuladas de 2015 a 2018 e de 2022 a 2026.

O governo anunciou reajuste de 4,14%, com pagamento ainda neste mês de junho e retroativo a março, além da previsão de concurso público para a educação estadual. No entanto, mais uma vez, os trabalhadores da UEA permanecem sem resposta concreta quanto às suas reivindicações salariais e ao cumprimento de direitos historicamente negligenciados.

Para o SIND-UEA, a medida reforça uma política de valorização seletiva do funcionalismo público, na qual algumas categorias são contempladas enquanto outras seguem sendo sistematicamente ignoradas.

A situação da UEA é ainda mais preocupante diante do histórico de defasagem salarial e das sucessivas perdas acumuladas ao longo dos últimos anos. Soma-se a isso a preocupação com os impactos dos cortes orçamentários sobre a universidade, que comprometem não apenas as condições de trabalho dos servidores, mas também a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão ofertados à população amazonense.

O sindicato questiona os critérios adotados pelo Governo do Estado para definir quais categorias terão seus direitos assegurados e quais continuarão à margem das políticas de valorização profissional.

“Não se trata de ser contra o reajuste concedido aos profissionais da Seduc. Pelo contrário: toda valorização do serviço público é legítima. O que denunciamos é o tratamento desigual dado aos servidores da UEA, que seguem aguardando o cumprimento de direitos básicos”, destaca o sindicato.

Perdas acumuladas nos últimos anos
A situação da UEA vai além da questão salarial. Servidores e estudantes convivem com dificuldades estruturais que afetam o cotidiano da universidade, como laboratórios que necessitam de mais investimentos em insumos e equipamentos, além da ausência de uma política mais ampla de restaurantes universitários. Para o sindicato, esses desafios refletem um cenário de subfinanciamento que compromete as atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Somam-se a isso as perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos. Segundo o SIND-UEA, ainda permanecem pendentes datas-bases de exercícios anteriores, o que tem provocado redução do poder de compra dos trabalhadores e ampliado o sentimento de desvalorização da categoria.

O SIND-UEA reafirma que a valorização da universidade pública passa necessariamente pelo respeito aos seus trabalhadores e cobra do Governo do Estado abertura imediata de diálogo, transparência sobre a situação orçamentária da instituição e medidas concretas para assegurar a recomposição salarial da categoria.

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