Manaus (AM) – Estudantes, professores e técnicos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) ocuparam a frente da Sede do Governo do Estado, no bairro Compensa II, em Manaus, para protestar contra as recentes políticas de restrição orçamentária. O ato público foi organizado pela União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM) e pelo Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (SindUEA).
Durante a mobilização, realizada no último dia 18, os manifestantes denunciaram a lógica de tratar a educação pública como “gasto” e não como investimento, cobrando do governo estadual a garantia integral de recursos para as políticas de assistência e permanência estudantil, além de investimentos estruturais urgentes nas unidades e núcleos da UEA.
O bloqueio de R$ 100 milhões e a precarização estudantil
O protesto ganhou ainda mais força devido ao imbróglio envolvendo R$ 100 milhões do orçamento da UEA. No último dia 11 de junho, após forte pressão, o Governo do Amazonas tornou sem efeito um decreto que retirava esse valor da instituição, mas os recursos seguem contingenciados.
Para os estudantes, a manobra financeira reflete um descaso profundo e estaria ligada a outras polêmicas da gestão estadual. Thaly Duarte, presidenta da UEE-AM, subiu o tom contra o governador e expôs a realidade precária enfrentada pelos alunos no dia a dia da universidade.
“Esse ato está acontecendo por conta dos 100 milhões de cortes orçamentários da UEA. A gente entende que a educação tem que ter ampliação de investimento e não corte. E principalmente quando o corte é feito para tapar o rombo do investimento do Wilson Lima no Banco Máster, é extremamente grave, porque a gente vê que esse dinheiro foi para tapar um rombo criminoso. A gente entende que a UEA precisa de ampliação por conta de estudantes das Exatas que não têm professor e que têm RU [Restaurante Universitário] com comida podre. Então, esses estudantes precisam de investimento e não de corte”, denunciou a representante estudantil.
Defasagem salarial e crise nos campi do interior
Para o corpo docente, a pauta nas ruas vai além do orçamento de custeio e engloba a campanha salarial da categoria, que acumula perdas inflacionárias severas, e o déficit de profissionais. Mônica Xavier, presidente do SindUEA e professora do curso de História da UEA em Parintins, destacou o sucateamento das condições de trabalho e a urgência de novas contratações, como a realização de concursos públicos.
“Nós estamos nesse ato não apenas contra o corte de 100 milhões do orçamento da universidade, mas também porque desde o início do ano estamos em luta pela nossa campanha salarial. São 24,92% de falta de reajuste dos últimos anos no nosso salário. Veja bem, não é aumento real, o que seria legítimo se pedíssemos, é reajuste da inflação. Então, na prática, a gente já tem uma corrosão de salário de um quarto pela falta de reajuste da data-base”, explicou a presidente.
A professora também alertou para a situação dramática das unidades fora da capital:
“Também estamos lutando por concurso, porque a gente tem em todo o estado, principalmente no interior, uma falta de professores e de técnicos que é gritante. A gente tem cursos no interior funcionando com quatro, cinco professores. A universidade necessita de concurso para continuar funcionando com qualidade. Os 100 milhões também vão acertar em cheio a permanência estudantil. Então, nós somamos aqui a manifestação junto com os estudantes contra o corte desses recursos”, concluiu Mônica.
O protesto buscou sensibilizar a administração estadual para que a educação pública seja tratada de forma prioritária. A mensagem deixada nas ruas foi clara: a UEA é um patrimônio do povo amazonense e a defesa do seu orçamento e de seus trabalhadores é, fundamentalmente, a defesa de oportunidades para a juventude e do desenvolvimento econômico e social do Amazonas.
