Juros altos pressionam orçamento das famílias e ampliam endividamento no país

Especialistas apontam Selic elevada e spreads bancários como fatores centrais da inadimplência

Economistas avaliam que a combinação entre a taxa básica de juros elevada e os altos spreads bancários praticados no Brasil tem agravado o endividamento das famílias. O cenário levou o governo federal a lançar o programa Novo Desenrola, voltado à renegociação de dívidas.

O spread bancário — diferença entre os juros pagos pelos bancos e os cobrados dos consumidores — chegou a 34,6 pontos percentuais em março, acima dos 29,7 registrados no mesmo período do ano passado. Em comparação, a média global estimada pelo Banco Mundial gira em torno de 6 pontos percentuais.

A professora da Universidade de Brasília, Maria Lourdes Mollo, afirma que a alta da taxa Selic influencia diretamente os juros cobrados pelas instituições financeiras. Segundo ela, o crédito mais caro dificulta a vida das famílias e reduz o ritmo da economia.

Além disso, especialistas apontam que a precarização do mercado de trabalho também contribui para o aumento das dívidas, já que muitas famílias recorrem ao crédito para custear despesas básicas.

Brasil entre os maiores juros reais do mundo

Atualmente, o Brasil possui uma das maiores taxas reais de juros do planeta. Mesmo após redução recente promovida pelo Banco Central do Brasil, a Selic está em 14,5% ao ano.

Dados apontam que os bancos cobram, em média, juros de 61% ao ano das pessoas físicas. No caso do rotativo do cartão de crédito, as taxas podem ultrapassar 400% ao ano.

Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, 80% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em abril, o maior índice já registrado pela entidade. Entre famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento chega a 83,6%.

Novo Desenrola

O governo federal lançou uma nova etapa do programa Novo Desenrola Brasil, que prevê renegociação de dívidas com descontos de até 90%, juros reduzidos e possibilidade de uso do FGTS para abatimento dos débitos.

A iniciativa busca facilitar a recuperação financeira de famílias, estudantes e pequenos empreendedores, além de estimular o consumo e o acesso ao crédito.

Related Post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *