PF faz buscas para apurar vazamento de dados da Receita envolvendo ministros do STF e parentes

Operação cumpriu mandados em SP, RJ e BA e investiga suspeita de quebra ilegal de sigilo fiscal sem autorização.

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (17) quatro mandados de busca e apreensão contra servidores públicos em três estados, no âmbito de uma investigação que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo autoridades.

A operação tenta esclarecer se funcionários do órgão teriam acessado ilegalmente informações fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de familiares deles, sem autorização.

Os mandados foram cumpridos após representação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Os servidores alvos da operação ainda devem ser ouvidos pelos investigadores.

Além das buscas, a PF informou que também foram determinadas medidas cautelares. Entre elas estão:

  • monitoramento por tornozeleira eletrônica;
  • afastamento do exercício de função pública;
  • cancelamento de passaportes;
  • proibição de saída do país.

As ordens judiciais foram cumpridas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Segundo a PF, prédios da Receita Federal não foram alvo da ação e não houve mandados de prisão nesta terça-feira. Até a última atualização desta reportagem, não havia detalhes sobre quais dados foram vazados nem os nomes dos envolvidos.

O que diz a Receita

Em nota, a Receita Federal afirmou que, antes da operação, já havia aberto uma auditoria interna para apurar as suspeitas e que o procedimento segue em andamento.

De acordo com o órgão, em 12 de janeiro deste ano o STF solicitou uma auditoria nos sistemas para identificar possíveis desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outras pessoas nos últimos três anos.

A Receita disse ainda que “não tolera” qualquer tipo de desvio, especialmente relacionado ao sigilo fiscal, e informou que ampliou os controles de acesso desde 2023. Segundo a instituição, sete processos disciplinares foram concluídos, com três demissões.

A nota afirma também que os sistemas são rastreáveis e que qualquer irregularidade pode ser detectada, auditada e punida, inclusive na esfera criminal.

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