Jovem usa inteligência artificial para simular sequestro e exigir R$ 10 mil do próprio pai em Manaus

Segundo a Polícia Civil, suspeita de 20 anos enviou foto manipulada em que aparecia amarrada e ameaçou ser estuprada e morta caso a família não pagasse o falso resgate.

Uma jovem identificada como Maria Bianca Palmeira Nogueira, de 20 anos, foi presa na terça-feira (3), em Manaus, suspeita de simular o próprio sequestro para extorquir R$ 10 mil da família. Segundo a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), ela utilizou ferramentas de inteligência artificial para produzir uma imagem falsa em que aparecia amarrada, na tentativa de convencer os familiares de que estava em cativeiro.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que identificou inconsistências na história apresentada pela jovem e apontou que as ameaças enviadas ao pai faziam parte da simulação.

De acordo com o delegado Ricardo Cunha, titular da unidade especializada, Maria Bianca afirmava que seria vítima de violência sexual e assassinato caso o dinheiro exigido não fosse transferido.

Foto manipulada por inteligência artificial foi enviada à família

Para sustentar a versão de que havia sido sequestrada, a jovem encaminhou aos familiares uma fotografia na qual aparecia supostamente imobilizada.

Conforme a Polícia Civil, a imagem havia sido manipulada com o auxílio de inteligência artificial para simular uma situação de cativeiro.

Além da fotografia, mensagens enviadas ao pai continham ameaças de violência, com o objetivo de pressioná-lo a realizar o pagamento de R$ 10 mil.

“Ela disse ao pai que seria estuprada e morta caso ele não pagasse os R$ 10 mil”, relatou o delegado Ricardo Cunha.

Nas conversas, a suspeita também alegava ter sido abordada por sequestradores enquanto estava em um hospital localizado na avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus.

Jovem estava escondida na casa de um amigo

Segundo a investigação, a simulação começou na segunda-feira (2), quando Maria Bianca pediu para ficar na residência de um amigo no bairro Tancredo Neves, zona Leste da capital.

A Polícia Civil informou que o amigo não tinha conhecimento das supostas intenções da jovem.

Foi a partir desse endereço que ela manteve contato com os familiares, apresentando a versão do sequestro e exigindo o pagamento do resgate.

O trabalho investigativo permitiu identificar o local onde a suspeita estava e esclarecer que, segundo a polícia, não havia ocorrido o sequestro relatado à família.

Polícia investiga possível envolvimento em outros golpes

Durante as diligências, os investigadores identificaram diversos perfis em redes sociais, contas bancárias e chaves Pix vinculados à jovem.

Segundo o delegado Ricardo Cunha, a quantidade de contas e perfis levantou a suspeita de que Maria Bianca possa ter participado de outras práticas fraudulentas.

A possível ligação com outros golpes ainda será investigada pela Polícia Civil.

Suspeita foi autuada por extorsão

Maria Bianca foi autuada em flagrante pelo crime de extorsão contra a própria família.

Após os procedimentos na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros, a jovem foi encaminhada para realizar exame de corpo de delito.

Na saída da unidade policial, ela não respondeu às perguntas dos jornalistas que acompanhavam o caso.

A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias da ocorrência e a possibilidade de outros crimes relacionados à atuação da investigada.

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